Posts tagged design
Posts tagged design
0 notes &
O ponto que conecta a criatividade aos jogos – não só de computador, como de qualquer natureza – é o “desconforto” que eles proporcionam.
Na vida real, estamos cercados de conforto. A vida civilizada criou o canivete suíço, o botão vermelho de power, o zíper e o lacre da latinha de refrigerante e simplificou processos manuais que, antes, envolviam muito engenho e paciência. (Experimente acender um fogueira com duas pedras).
A segurança dos lares fez adormecer no homem civilizado o instinto de alerta que fazia parte da rotina dos seus antepassados. (Nada de predadores famintos rondando a caverna em que você dorme).
Aqui, vale uma regra simples: nós perdemos todas as habilidades de que não fazemos uso.
O trunfo dos videogames é que eles simulam situações de perigo ou de complexidade com que não estamos acostumados a lidar. Para solucioná-las, o cérebro realiza mais conexões e se especializa em raciocínios que não seriam necessários para sobreviver no mundo de hoje, mas que são imprescindíveis para quem realiza um trabalho criativo.
A alavanca de criatividade da vez é o jogo independente Machinarium, do estúdio tcheco Amanita Design, vencedor da categoria Excelência em Arte Visual do Independent Game Festival 2009
Machinarium possui um trabalho gráfico composto por ilustrações ricas que não negam a origem europeia e parecem ter saído do sketchbook de algum designer perfeccionista.
A animação é tão orgânica que expressa uma naturalidade engraçada e faz você sorrir com o soluço ou algum outro movimento desleixado dos personagens.
Controlamos um pequeno robô que, após ser jogado numa pilha de lixos, decide juntar seus membros de lata e retomar o caminho para sua cidade. Agrupados nessa premissa simples, estão sequências de desafios que envolvem bastante criatividade e raciocínio lógico.
O primeiro desafio acontece num ferro velho, onde é preciso montar o robozinho para começar a aventura. Sem nenhuma presença da linguagem verbal – até mesmo os balões de fala do jogo mostram ilustrações em cartoon – o jogador descobre que deve chantagear um robô tamanduá, dando-lhe um rato de brinquedo para que ele retribua devolvendo uma das pernas metálicas do protagonista.
O cuidado com os detalhes não está presente apenas na atmosfera do jogo: no visual, na trilha sonora, em que as reverberações, sons de máquinas e sintetizadores dispostos de modo espacial ajudam a criar uma imersão, mas também na complexidade dos enigmas, que exigem bastante atenção e percepção às formas e funcionalidade dos objetos de cenário.
Ao contrário de outros jogos do mesmo estilo, em que se prioriza apenas o raciocínio lógico, em Machinarium, a cena que abre cada enigma e a análise de seu enredo são essenciais para a solução dos problemas.
Por conseguir ser expressivo utilizando poucas palavras (ou quase nenhuma), por carregar de significado a sua direção de arte, o jogo é um excelente treinamento para a percepção visual de ilustradores, diretores de arte, e outros tantos criativos que estejam interessados em narrativas visuais.
Um estudo da revista Nature Neuroscience aponta os jogos virtuais como estímulo para percepção de detalhes e constrastes. É bem verdade que, assim que eu travava em um obstáculo do jogo, logo vinha o meu dupla, que é diretor de arte, e achava a solução.
Alguém ainda duvida?
Baixe a demo de Machinarium em: http://www.baixaki.com.br/download/machinarium.htm
A versão completa custa 20 dólares e está disponível para Windows, Linux e Macintosh no site oficial, onde é possível também jogar online uma versão demosntrativa.
0 notes &
MadMen (show original da AMC - retransmitido no Brasil pela HBO) é uma premiada série americana, que concorre a 16 categorias nesta última edição do Emmy. A trama se desenrola na Nova york dos anos 60, em uma agência de publicidade chamada Sterling Cooper. O espectador acompanha a vida do diretor de criação Donald Draper e das pessoas quem o cercam dentro e fora do ambiente de trabalho.
Junto com os personagens, é possível presenciar as mudanças de comportamento na América daquele período, bem como os hábitos que configuraram aquela geração: o uso de cigarros, bebidas alcóolicas no ambiente profissional, o sexismo e o preconceito racial.
Outro ponto forte da série é a crise masculina provocada pela saída das mulheres das cozinhas dos subúrbios com destino aos escritórios executivos de Manhattan. É nesse ambiente que MadMen nos conta os infortúnios, segredos e desafios do trabalho dos publicitários em uma américa em busca de uma nova identidade.

Enquanto os seguidores da série aguardam ansiosamente pela estréia da terceira temporada (dia 16 de Agosto), é possível se divertir (e por que não viralizar o programa de televisão?) com o hotsite MadMen Yourself. Nele, é possível criar seu próprio avatar no estilo “publicitário dos anos 60”, customizando rosto, acessórios, roupa, e até bebidas, isqueiros e cigarros para abrilhantar o visual do seu alter-ego (e ponha ego nisso) criativo da SterlingCooper.Após a brincadeira, é possível ainda escolher o plano de fundo e transformar o seu mad man em um papel de parede para desktop ou iPhone, avatar para o twitter, facebook ou mensageiros instantâneos.
A ação de internet (discretamente patrocinada pela rede de cafeterias Eight O’Clock Coffee) não é mais nenhuma novidade entre o público da série, mas é muito bem realizada e e provê uma experiência divertida ao usuário, o que, definitivamente contribui para desenvolver um vínculo consumidor e marca – ou melhor, entre telespectador e série.
As ilustrações ficaram a cargo da designer novaiorquina Dyna Moe, que trabalha como freenlancer. O website da série é rico em sugestões de sensação para o usuário. Para que você realmente viva o espírito da parte criativa da big apple dos anos sessenta, a página vai muito além do simples release e sinopse de episódios e oferece guia de drinks mais famosos nos sessenta e concursos de fotografia com roupa de época.