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Álbum de Família

Parei de gostar de fotografia aos 10 anos e 1 dia de vida. Por que tanta precisão? Porque foi exatamente no dia do meu aniversário que eu descobri que nada poderia subtrair tanto o espírito de uma festa como a vontade de registrá-la para a posteridade. Tinha ganhado uma pequena boate de presente e, como todas as outras crianças, não queria passar um minuto sequer longe daquelas luzes coloridas.

Acontece que os adultos não se contentavam em assistir. Era preciso registrar e catalogar numa sequência lógica todos os momentos do evento. Mas aqueles spots e globos de luz já não eram uma surpresa inesquecível?

Venho de uma família muito grande. E a maior preocupação das famílias muito grandes é justamente não magoar cada um dos seus membros, embora, inevitavelmente, isso acabe acontecendo. E é esta preocupação que leva aos imensos checklists no Natal, na Páscoa e até mesmo na hora de escolher as lembrancinhas de viagem. Nas festas de aniversários, essa preocupação é o maior vilão da espontaneidade: ninguém pode ficar de fora das fotografias.

Começa, então um germânico processo classificatório. Fotos com as tias solteiras, agora as tias casadas com seus respectivos maridos, agora os netos - sem as namoradas. Tudo catalogado, etiquetado e colocado eficientemente na página certa do álbum. O que não se vê é o custo de não magoar ninguém. O que não percebemos é que enfraquecemos os momentos verdadeiros, aquela hora em que seu avô pensa que é criança de novo e dança com a neta a mais nova música da Katy Perry, o momento em que aquelas duas pessoas que se estranharam no Natal passado sorriem uma para a outra, a hora em que o pequeno - escondido dos pais - descobre o gosto do champanhe, os olhos brilhando da vovó octogenária diante dos fogos de artifício - não muito diferente da criança hipnotizada pelas luzes da boate. Tanta coisa bonita que vai acabar interrompida para que a vovó apareça ao lado do vovô, os netos, todos juntos, mas cada vez mais separados de quem são próximos na vida real. Criamos nos álbuns uma festa paralela, em que a alegria não é bem do jeito que aconteceu, mas é bastante compreensível. Esquecemos da beleza que estava ali, para construir uma outra que, nem de longe, tem o brilho da primeira. A alegria não é compreensível. Precisamos parar de fotografar cartesianamente os nossos “graus de parentescos” e começar a fotografar as belezas que se formam bem na nossa frente durante um par de segundos e, depois, como a explosão de um foguete, desaparecem. Estas sim precisamos capturar para sempre, nem que seja com outra máquina, que trabalha incansavelmente por mais de 80 anos e que nunca revela em negativo.

Estes dois projetos vem pouco a pouco me convencendo de que com o olhar certo, a fotografia consegue capturar a beleza sem invadi-la:

Adam and Halli’s Wedding por Josh Goleman – Estados Unidos


Casamiento Feliz por Roma Lopreste e Carlos Muller - Argentina


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Adeus, queridos redatores.

Um criativo de uma agência de propaganda bem conhecida queria que as pessoas soubessem que a redação publicitária ainda não morreu. Ele enviou este texto ao Ads of The World, e eu decidi traduzir e postá-lo aqui também para que ele alcançasse mais pessoas. Boa leitura.

 

Houve um tempo em que os redatores eram similares aos seus pares, diretores de arte, e eram igualmente reconhecidos como criativos genuínos - capazes de imaginar conceitos e escrever anúncios. Mas esses dias gloriosos ficaram para traz.

Testamento do Neil French: Ninguém mais lê anúncios com textos longos.– um pouco profético. Como resultado, os trocados que eles recebiam para escrever conteúdo que não seria lido não valia o trabalho. De fato, digitar ou usar  a caneta, não vai torná-lo nenhum aristocrata.

Honestamente, qualquer garotão pode “encontrar” um bom slogan.Tudo que ele precisa saber é como usar o “Word Office” – Ah, não esqueça o maldito dicionário de sinônimos – Aí, num excesso de confiança, o mesmo moleque que achou um slogan, pode também, num piscar de olhos, escrever o texto do anúncio inteiro. E então, no espaço de três frases (pode contar), ele fez o job, para valer; rápido e barato.

Mais ainda, ele fez o texto menor e, por isso, mais fácil de entender (para não dizer sem sentido) pelo “povão”. Porque, você sabe, o público não é erudito o suficiente para texto inteligente, eles dizem. (publicitários superficiais e clientes superficiais - vulgos Debby & Loyd)

Para resumir, agências não precisam mais de redatores. Planejadores e gestores de conta são bons substitutos. Mas, lembre-se. Não é porque você pode falar que você é um bom cantor. Do mesmo modo, não é porque você pode caminhar que você é um bom dançarino.

Na verdade, o problema com a redação está em todo lugar.

O ofício foi irresponsavelmente rotulado como “por palavras atrás da outra”. Quando na verdade não é só escrever, mas também ser capaz de contar histórias que vendam, que convençam.

Slogans surpreendentes e textos de apoio podem ser usados como um enredo e narrados como um discurso. Gill Scott Heron (que descanse em paz) é o perfeito exemplo do escritor capaz de elevar seu estilo aos mais diferentes níveis.

Ouça a sua brilhante “Message to Messengers” sem o instrumental. Ou então leia a letra. De qualquer maneira, a história permanece poderosa, porque ela desenha imagens na mente das pessoas. Basicamente, a escrita criativa deveria traduzir palavras em cenas.

Você deve entender agora porque o título: “Adeus, queridos redatores” não pode ser traduzido em imagens. Redatores são tão úteis quanto necessários.

Simples assim.

Fim.

(Source: adsoftheworld.com)

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Deixa de ser bobo, João.

Ele tem, geralmente, um metro e quarenta de altura, sua cintura é variável – e não acredito que ninguém se deu ao trabalho de medí-la – seu peso é a sua característica mais curiosa, pois é por conta dele que surgiu seu nome de batismo. Graças à disposição irregular de sua massa, o João Bobo volta sempre à sua posição de início. Isso acontece porque o brinquedo inflável que fez parte da infância de muito vintão e trintão concentra todo o seu peso na base.


      Por experiência própria, digo que esta é grande parte do seu encanto, pois é o que o faz levantar graciosamente após cada tentativa de derrubá-lo. Bobo que é, o João volta sempre ao ponto inicial para apanhar mais uma vez do seu costumeiro agressor: crianças que têm quase o seu tamanho.

Só há uma forma de mover o João Bobo de sua posição original, permanecendo junto a ele na nova posição, fazendo contrapeso ao seu lastro, sendo uma constante força opositora.

            Os personagens da nossa história de hoje são as “marcas João Bobo”: aquelas que se opõem ao esforço de posicionamento que se tenta implementar nelas e que, ao menor sinal de brecha, fazem o possível para voltar à sua forma original. Os gestores destas marcas costumam contratar empresas de comunicação para a difícil tarefa de lhes dar uma personalidade, construir por sobre aquele símbolo uma série de promessas capazes de se conectar com o público alvo e causá-los uma impressão positiva. Acontece que este é um processo que requer bastante disciplina por parte da empresa e nem sempre pode ser resolvido apenas com a comunicação.

            O processo começa com um olhar para si mesmo.

            Marcas e pessoas não são tão diferentes assim. Você olha o calendário e descobre que o próximo mês começa numa segunda-feira, olha para o espelho e descobre também que seu corpo não está tão em forma assim. Aquele excesso de gordura saturada não vem lhe fazendo bem. Subitamente, você sente a necessidade de mudança e consulta um nutricionista para começar uma dieta. O que determina se dali a outras quatro segundas-feiras você começará a sentir os benefícios de uma alimentação saudável é simplesmente o quão disciplinado você consegue ser.

            As transformações exigem um estado de alerta que nos põe atentos a todos os processos que precisamos realizar de uma maneira diferente. A motivação verdadeira pela mudança  é algo que nos permite manter este estado por um bom tempo. Se a motivação não for genuína, basta a primeira oportunidade que o João Bobo volta à posição original e você assalta a geladeira no meio da madrugada. 

            As marcas também necessitam de uma motivação real para operar mudanças. Quando não é dessa forma, a falta de consistência vai aparecer em algum momento. Certos casos são bastante esclarecedores, como o da companhia que sempre possuiu uma gestão conservadora, uma cultura interna tradicionalista e que, ao detectar que o consumidor deseja uma relação informal e despojada com a marca, deposita na comunicação toda a responsabilidade de criar uma imagem artificial para o público-alvo. A imagem parece se sustentar, a princípio, porém a própria marca nem sempre vai estar disposta a realizar as concessões que o posicionamento introjetado lhe exigirá.

            Essa dissonância é gerada por um erro que o consultor Jaime Troiano, do Grupo Troiano de Branding, costuma chamar de “erro do tapume”.  É uma falha que consiste em imaginar que a sua marca é um tapume que revela apenas o lado de fora da empresa e esconde quem ela é da porta da rua para dentro. Pelo contrário, a marca é mais como uma vitrine e, por maiores que sejam os esforços de construção de valor, sem consonância com a sua verdadeira essência - ou melhor, sem exercitar na empresa a essência que se deseja obter, a marca nunca alcançará o seu equity.

            Depender apenas da comunicação é um atitude que transforma a marca num João Bobo. Por mais que se tente empurrá-la para outra direção, a tendência sempre será voltar ao ponto inicial, onde ainda reside sua natureza.

            Para Troiano, é uma expectativa perversa supor que marcas possam ser um recurso cosmético que oculta as imperfeições e desajustes organizacionais e que o marketing possa ter o triste papel de esconder rugas, estrias e pudesse revelar ao mercado uma aparência sempre jovem, saudável e atraente.

Uma mudança real começaria por retirar o lastro do inflável para impedí-lo o retorno ao ponto de partida. No campo das marcas, isso significaria extirpar da cultura empresarial os seus maus hábitos, vícios de gestão e visões ultrapassadas sobre o papel da comunicação. Em português claro, o gestor precisa deixar a teimosia de agir como sempre agiu e permitir uma mudança nuclear em sua forma de trabalhar.

            Teimoso, aliás, é o outro nome dado ao boneco, que não importa quantas vezes seja empurrado para frente, volta sempre ao mesmo lugar. 

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É a vaidade, Wlad.

Há quatro décadas, no Mercado Ver-o-peso, em Belém do Pará, Wladimir vendia creme dental e cosméticos naturais. Saltando entre as barracas, abordando os passantes com gracejos vendedores, o pequeno paraense de seis anos não desconfiava que toda a sua vida seria marcada por um só palavra: a vaidade. 

Vaidade terrena e salvação divina       Vaidade terrena e Salvação divina – Hans Memling 

Considerada o mais grave dos sete pecados capitais, a vaidade, por definição, é o desejo de atrair a admiração das outras pessoas. Para este fim, a pessoa vaidosa exibe seus pontos positivos, ao mesmo tempo em que esconde seus pontos negativos.

Sentiu-se identificado de alguma maneira? Não precisa entrar em desespero. O que, no século XIV, lhe garantiria uma moradia eterna no calor do inferno, lhe renderá um elogio nas movimentadas ruas do século XXI. A vaidade, relegada levianamente a um pecado cristão, aprendeu, com os anos, que ela sempre estivera presente na vida das pessoas, sob outro nome, que escondia o seu lado negativo e reforçava o seu lado positivo. Este nome era a “beleza”, e em sua defesa, artifícios foram criados para que o padrão estético estivesse ao alcance de quem o buscasse.

Desde o surgimento da burguesia que as nutridas famílias de italianos narigudos encomendavam quadros aos pintores. Na surdina, pediam para que o restratista fosse benevolente no momento em que o pincel marcava seus desarranjos. As obras-primas chegaram até nossos tempos corrigidas e aprovadas pelo olhar daqueles que não gostariam de imortalizar nenhum olhar vesgo.

Inocentada a vaidade, varrem-se as imperfeições com bases faciais, batons, lápis corretivos, tinturas de cabelo, tratamentos clínicos, academia, e cosméticos parecidos com os que o Wladimir vendia lá no norte do país. O próprio Wladimir, mais tarde, quando se tornara um conhecido cantor de brega, tingia mechas do seu cabelo e malhava o bíceps em busca de um físico impecável. 

O sucesso e aprovação popular em seu estado fizeram do artista deputado federal pelo PMDB. Numa campanha eleitoral, todo candidato deve ir em público apontar seus pontos fortes e fazer de tudo para que seus pontos fracos não sejam percebidos. Depois das eleições, o Wladimir não parou mais de corrigir suas imperfeições.

Para os desagrados que os cremes não resolvem, a ciência tem seus próprios pincéis, a cirurgia plástica. Graças a ela, milhares de pessoas insatisfeitas podem cortar alguns defeitinhos fora. É como o nosso Wlad costuma dizer: “O povo paraense é muito vaidoso, se as mamas tiverem embaixo, a mulher coloca logo silicone”. E o deputado não fala sem conhecimento de causa. Ele também já fez umas pequenas cirurgias para corrigir o nariz e as covinhas do seu sorriso de artista.

Não o culpo. Faz parte do nosso modelo sociocultural, afinal. A vaidade, ou melhor, a beleza é aspiracional. O ser humano é assim. É a busca por algo melhor em sua aparência, ou mesmo em sua vida, que o impulsiona. 

Para não perder o norte, temos nossos arquétipos, nossas referências. As celebridades de Hollywood, as modelos, os jogadores de futebol, as garotas da publicidade. Gente que não é muito diferente da gente, mas que, para virar um modelo a ser seguido, contou com a ajuda de alguém disposto a esconder seus defeitos, exibir suas qualidades e criar um mito. São muitos artifícios à disposição: hipérboles, maquiagem, luzes, truques de câmera, retoques do photoshop. Todos a serviço de criar o inatingível, e nos impulsionar a uma busca constante. Nós criamos os mitos para que eles carreguem o fardo de ser perfeitos e nos sirvam de exemplo.

Desta fato, o deputado estadual Wladimir Costa discorda sem conhecimento de causa. Entre uma declaração como “O Renan Calheiros é um homem sério” e outras, o deputado propôs o projeto de lei 6853/10, que está em análise na Câmara.

A lei quer obrigar os anúncios que trazem fotos manipuladas digitalmente a exibir a mensagem: “Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada” O texto original da “Lei do Photoshop” prevê multa de até R$50 mil a quem desobedecer. Segundo o deputado, o objetivo é “acabar com a idealização do corpo humano pela publicidade”.

Wladimir Costa, que começou a carreira vendendo cosméticos e cremes dentais e atraiu a admiração dos seus conterrâneos com suas performances de palco, pretende impedir que a propaganda nos “engane” com sorrisos colgate. 

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Desconstrução

Criou daquela vez como se fosse a última.
Fez cada job seu como se fosse o único.
Pensou o dia inteiro e ficou o máximo.
Mandou pro atendimento num e-mail tímido.

Teve que refazer como se fosse máquina.
A campanha reprovada com argumentos sórdidos.
Criou mais uma vez outros roteiros mágicos.
Esperou aprovação como se fosse lógico.

O cliente não gostou e aconteceu o trágico:
pediu pra refazer como se fosse um príncipe.
Tentou reagir mas se sentiu estático.
Pensou mais uma vez no concurso público.

E virou a noite inteira parecendo um bêbado.
Comeu pizza de novo e ficou mais flácido.
Bebeu a noite inteira cafezinhos básicos.
Saiu de manhazinha se sentindo estúpido.
E ainda teve que voltar pra terminar no sábado.

A letra criada pelo publicitário Fellipe Figueroa foi parar nas cordas do músico e ex-publicitário Thiago Correa que, sensibilizado com a causa, chamou Henrique Kunz, da Batuque para produzir o som. A dica ficou por conta do tumblr dwerden.

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Ofendendo os consumidores. Um manual.

Início da tarde de um sábado, sol a pino. Você termina seu almoço despreocupado, levanta-se da pequena mesa de madeira encostada à janela da sua cozinha. O destino é a pequena lata de lixo que fica próximo à pia, nela você deposita as sobras orgânicas do seu prato e também um copo descartável.

No mesmo momento, um bater de pesadas botas militares contra a porta irrompe sua cozinha. Green Police, mãos ao alto. Você está preso por agredir o ecossistema, garoto. Grita o homem troncudo de uniforme verde, que possivelmente o observara pela janela.

Foi essa a história absurda, bem humorada, e leve que a montadora alemã Audi usou para contar aos 106,5 milhões de espectadores do SuperBowl deste ano sobre o seu novo Audi A3 TDI® Clean Diesel, ganhador do título carro verde do ano por sua performance ecologicamente responsável.

Após o SuperBowl, a Green Police pode ser vista em seu canal oficial no Youtube, onde há um desafio interativo, além de informações sobre as polícias verdes da vida real – muito mais contidas – e o caráter satírico da Green Police do filme.

A página exibe textos como “Nós protegemos e conservamos a terra e defendemos a mãe natureza”.  “Eles (os policiais verdes) não estão aqui para julgar, meramente para guiar os consumidores em suas decisões”.

Demonstrando simpatia, a Audi, reafirma o que já é inevitável na investida das marcas nas redes sociais: “Nós o encorajamos a fazer comentários e afirmar sua opinião, seja ela positiva ou negativa”.

Gostou da ação? Vejamos alguns dos comentários:

Como muitas formas de entretenimento, existem, no mínimo dois níveis para este anúncio:
O nível consciente de ser um olhar bem humorado para o aquecimento global e a propaganda automobilística.
E a mensagem subconsciente, que pretende acostumar as pessoas com a interferência policial nos afazeres domésticos.
Isso é conhecido como “Predictive Programming”
Enquanto você observa a interferência policial ser promovida em “histórias cômicas” na TV e no rádio, em vários países há realmente serviços policiais se envolvendo na vida das pessoas de uma forma que muitos julgariam inaceitável

F****-se Eco-nazi. Eu vendi meu Audi A4 por causa disso, e eu me recuso a ter um Audi agora. P**** de mentira de aquecimento global.

Desde quando uma fabricante de carro pode ditar uma política pública? Fascismo? Alguém?

Ninguém me diz como eu devo viver em minha própria casa, eu nunca uso lâmpadas fluorescentes tóxicas, AUDI é propriedade de uma companhia fascista, dissimulada e maníaca por controle. Deem a p**** de um fora daqui seus lixos verdes e tolos

Ainda que, numericamente ínfimos se comparados ao total de pessoas atingidas pela mensagem (são 430 comentários no canal até o momento), grande parte deles são desfavoráveis à marca e mostram um descontento com a política da companhia e a piada policial de seu anúncio.

Nem todos encararam com humor a sugestão de uma invasão policial à vida privada e, juntaram o desagrado desta possibilidade com uma evidente paranóia conspiratória envolvendo a marca alemã e o histórico militar do seu país de origem.

Como já disse em outro post, a 4ª lei de Newton é: existe sempre alguém que não ri da piada. Se uma má interpretação de um diálogo já pode resultar em ofensa, imagina quando uma marca se comunica com quase 107 milhões de pessoas. O que era para ser simpático e bem humorado corre o risco de ganhar incontroláveis conotações tão numerosas quanto a audiência do SuperBowl.

Assim como no Brasil existe o CONAR, o PROCON e o Código de Defesa do Consumidor, nos Estados Unidos existe o Federal Trade Comission, responsável, entre outras atribulações, por proteger o consumidor de possíveis abusos e ofensas que possam ser dirigidas a eles pelo conteúdo publicitário. Igualmente ao nosso CONAR, basta a reclamação de um indivíduo para que se abra um processo de apuração do caso.

Acontece que, talvez por inconsistência da queixa, nem sempre o consumidor ofendido busca os meios convencionais para expressar a sua indignação com uma propaganda abusiva, enganosa, ou mesmo com algum aspecto particular da comunicação de uma marca.

Constantemente, o direito de expressão do consumidor é exercido através das redes sociais. Quem não lembra do misterioso viral que condenava a durabilidade das motos Dafra, entitulado “Dafra - Você por cima da M****? Ou das comunidades do Orkut criadas por consumidores frustrados para relatar as suas agruras com promoções das operadoras de celular? Ainda, a reação de certa camada da população feminina aos comerciais sexistas de cerveja.

A grande dúvida que paira a mente do anunciante é como lidar com esta propaganda às avessas que é feita pelos consumidores frustrados? Como minimizar a ofensa? Como fugir do boca a boca negativo que pode ter impactos em sua receita?

Algo é certo, ao menos para a crescente geração que se envolve ativamente nas redes a ponto de participar de fóruns de discussão ou produzir e disponibilizar conteúdo, a decisão arbitrária de solicitar ao Youtube a retirada de vídeos, saída mais utilizada pelas corporações, é encarada como uma promoção da censura e vai de encontro à liberdade de expressão que está no cerne do pensamento desta geração. Vale portanto, nos casos que envolvem este perfil de consumidor, pensar um pouco mais antes de se posicionar como ditador.

Respondendo a algumas destas perguntas, o autor de livros de marketing e presidente da escola de negócios Wizard Academy, Roy Williams afirma: “Ponha um anúncio num tribunal e cada membro do juri irá julgar dois aspectos: Esse anúncio pode ofender alguém? Ele é divertido?”

Como consequência disto, grande parte dos anúncios não é escrita para persuadir, e sim para não ofender.

Ainda para Williams, anúncios que causam impacto são como nitroglicerina: cuide deles da maneira correta, e eles moverão montanhas por vocês, seja descuidado e eles podem explodir o seu negócio.

O que se percebe, portanto é que, para evitar repercussão negativa, não se deve temer a mensagem e, por consequência disto, evitar qualquer conteúdo de impacto, afinal, impacto é um forte elemento da persuasão. Sem ele, muitas propagandas seriam inócuas. Não se esqueça de que grandes audiências podem gerar numerosas interpretações da sua mensagem, algumas desfavoráveis, outras ofensivas, outras ainda completamente sem fundamento.

É preciso, por fim, ter coragem de afirmar alguma coisa, e ter a mesma coragem na hora de escolher entre retroceder e pedir desculpas, ou não fazer nada.

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O meu é maior que o seu.

Existe, certamente, uma relação inversa entre a dimensão de um estado e a necessidade de auto-afirmação da sua população. Uma tentativa de compensar o modesto tamanho.

Quer um exemplo? O fato em questão se consagrou acontecimento tradicional no calendário sergipano: a época do vestibular. Num estado com as nossas proporções e perspectivas, o fascínio pela aprovação no exame resulta, via de regra, em peças publicitárias de uma fraqueza argumentativa reprovável, repleta de superlativos, engendro e má fé.

A distorção é tanta que após um passeio pela Ministro Geraldo Barreto Sobral, um indivíduo exposto aos incontáveis outdoors que margeiam a avenida é incapaz de afirmar qual colégio da capital obteve melhor índice de aprovação.

As informações, num Arial achatado, caixa alta, gritam mensagens indecifráveis como “28 alunos entre os dez primeiros lugares de 12 cursos” ou mesmo “dois sergipanos melhores colocados na Universidade Federal de Pernambuco”, além das clássicas “X aprovados em Medicina” e “X aprovados em Direito”.

A incoerência não está apenas na equação que é montada para exibir números favoráveis, afinal, encontrar a melhor forma de comunicar um fato é objetivo da publicidade, o absurdo está em tornar essa fórmula tão hermética a ponto de fazê-la não dizer absolutamente nada, ou esconder resultados não tão satisfatórios assim.

Marcelinho chega em casa, corre para o pai e fala: Pai, o professor de matemática disse que eu fui o único aluno da sala a tirar (10 + ((-2) x 5))

Depois de gastar algum tempo com a calculadora, o pai do Marcelinho descobre que vai ter de colocá-lo de castigo.

Será essa prolixidade uma desonesta e auto-afirmativa conduta da mesma cultura que apelidou o salão de bairro de hairstylist e qualquer padaria de delicatessen?

É verdade que a publicidade é um límpido reflexo da cultura ao redor da qual ela se constrói.  O que, possivelmente, explica a obsessão pelo status de carreiras como Direito e Medicina, que beira o desrespeito pelos profissionais de outras áreas.

No mundo ideal, anunciado pelos colégios de Sergipe, você sai de casa todos os dias, dá bom dia ao médico que cuida da segurança do seu condomínio, pega um taxi dirigido por um advogado que leva você ao seu trabalho. Nem precisa lembrar que você é médico e que as pessoas que você atende, todas advogadas, tem duas atividades básicas em suas vidas: cuidar da saúde e processar umas as outras. Surreal, não acha?

Uma análise um pouco mais atenta ao comportamento deflagrado pelo marketing destas instituições revela um problema ainda mais sério que a arrogância.

Ao tratar o ensino como um produto de varejo, vendendo números, o empresário espera um retorno de investimento imediato, que acaba acontecendo graças à proximidade do momento de matrícula e a própria natureza deste tipo de apelo publicitário.

Ao mesmo tempo, este empresário subestima o poder da comunicação institucional, de viés emocional, na construção de valores para sua marca, como confiança, segurança, preocupação com o lado humano.

Esse segundo tipo de comunicação é desprezada porque seus resultados, embora duradouros, só são notados a longo prazo. O que não deveria ser um empecilho. Para educar um cidadão, investe-se tempo e dinheiro por mais de uma década. Reconhecer o valor do investimento a longo prazo deveria fazer parte da realidade de um empresário do setor.

O impacto deste comportamento para o mercado e para a cultura do estado é uma questão pertinente para os 275 aprovados nos cursos de publicidade e psicologia das duas maiores faculdades de Sergipe.

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“Mau gosto”.

Foi o termo usado na última sexta-feira pela Audi ao desmentir o envolvimento num suposto filme publicitário do Audi A5 que circulava na web.

No filme, que tem todas as características de um VT profissional de automóveis (design do carro em várias perspectivas, detalhe dos faróis, do painel, do botão de partida), um homem decide por fim a própria vida por intoxicação e, para tanto, conecta a descarga do veículo à janela dianteira por meio de um tubo.

Em vez de morrer, o suicida acorda quando o tanque do Audi está vazio. O título afirma: “Clean Diesel technology. Good for enviroment. Good for you”.

“Não é nosso. Achamos o VT de mau gosto. Não é realmente um tema que possa ser usado nesse tipo de propaganda. Nós tentaremos retirá-lo da internet tão breve quanto possível.” disse um porta-voz da Audi à imprensa internacional.

Real ou não. De mau gosto ou não.  O bem produzido filme “falso” me fez escrever sobre a Audi e fez você saber que a montadora reduziu de maneira significativa a emissão de gases poluentes em seu A5.

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Você vem sempre aqui?

Já passa da meia-noite. Você cruza o bar em direção a uma garota que está do outro lado, aparentemente desligada do ambiente ao seu redor. Respira fundo, toma iniciativa e dispara:

– Você vem sempre aqui?

Ela sorri educadamente, lança um ligeiro olhar ao banheiro e responde:

– Sim, meu namorado simplesmente adora este lugar.

Ela segue um caminho oposto ao seu quando uma amiga acena da porta do toilette feminino.

Você sai sem graça.

Vamos começar a história de novo.

Já passa da meia-noite. Você cruza o bar em direção a uma garota que está do outro lado, aparentemente desligada do ambiente ao seu redor.

Respira fundo, olha nos olhos dela e sorri:

– Mas que engraçado…

Ela olha curiosa, pensando no que é que pode haver de tão engraçado nela.

Você ainda não completa o raciocínio e prende a sua atenção com outra frase aparentemente sem sentido:

– Por favor, me diga que seu nome não é Júlia.

– Não mesmo.

Sorrindo intrigada.

– Assim, eu fico mais aliviado.

Você completa, segurando o mistério por mais alguns segundos, para então explicar:

– A  Júlia estudou comigo a infância inteira, nunca mais nos vimos, mas, cara, eu  podia jurar que ela seria exatamente como você hoje em dia. Ainda bem que não é. Quando a gente era pequeno, eu infernizava a vida da menina…

A garota que não é a Júlia ouve atenta enquanto você ganha tempo ao seu lado. Dentro de alguns instantes, você irá levá-la para a pista de dança.

Ela e a amiga, que acaba de sair do toilette feminino..

——

Qual das abordagens você prefere?

Provavelmente a segunda, assim como Broca.

Área de Broca

A área de Broca é uma região do seu cérebro responsável por processar as ações e as palavras relacionadas às ações.  Ela é encarregada também de antever e rejeitar a absorção do óbvio. Para influenciar alguém, é preciso alcançar o córtex pré-frontal, moradia da emoção, lar do planejamento e julgamento localizado logo atrás da testa. Próximo a ele, está a área de Broca fazendo a seleção entre as informações que você já recebeu anteriormente e o que realmente é novidade para você.

Para chamar a atenção de alguém é preciso surpreender Broca. Dê-lhe um belo de um drible, quebrando o esquema.

Esquema

Vale para as mulheres, vale para os consumidores.

Parece gritante, mas muito criativo se esquece de que, ao sentar para ver TV, ler uma revista ou acessar uma rede social, o consumidor está em busca de entretenimento e informação. Ele não está necessariamente interessado em sua mensagem publicitária. Na verdade, ele está saturado dela, assim como a garota no bar, que, a princípio, não está interessada em ninguém, mas é obrigada a ouvir “Você vem sempre aqui?” inúmeras vezes por noite.

Como, a garota, o consumidor cria uma barreira natural às cantadas dos anunciantes.

Para vencer a barreira, é preciso apelar para o pitoresco, o desconhecido, ou simplesmente o inesperado. Alguns anunciantes cometem o erro de insistir por muito tempo numa estratégia, apenas porque ela funcionou nas primeiras vezes que eles a adotaram. É tão esperto como jogar xadrez e desconsiderar a capacidade de um velho oponente aprender com as jogadas que você faz.

Mude de jogada, fuja da obviedade na escolha das palavras ou das estratégias que anunciam, todo fim de semana, a melhor promoção do ano.

Faça a média com o Broca. Crie uma imagem mental forte no início do seu anúncio, gere curiosidade, desperte o interesse, encontre uma história particularmente curiosa para o seu produto ou serviço e a conclua com uma imagem mental igualmente forte.

Emocione.

As decisões humanas, incluindo as decisões de compra, são tomadas emocionalmente e, só depois,  é que nós as justificamos pela razão. Só por curiosidade, estudos indicam que na mulher o percentual de decisões tomadas com base na emoção é maior ainda.

Dependendo do seu jogo de cintura e da sua capacidade de emocionar a  garota que não é Júlia, ela acordará com a sensação de que encontrar você foi obra do acaso, ou então o destino, e quem sabe fique até curiosa para conhecer a verdadeira Júlia.

Acredite, contar uma história, como a da garota no bar, ajudou bastante a manter você cativo até aqui.

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Marketing para indies.

Como publicitário e entusiasta de homestudios e gravações caseiras, eu não poderia deixar isto passar em branco.

Com 60450 inscrições e quase 1 milhão de exibições do seu canal no Youtube até o momento, o Pomplamoose – palavra francesa para toranja – é uma dupla californiana formada por um casal de moderninhos, Jack Conte e Nataly Dawn.

Jack é multi-instrumentista, compositor e filmmaker que, segundo o Wikipedia, vive da venda de mp3 na rede; Nataly já morou na França, Bélgica e voltou para a California para se graduar em arte e literatura francesa. O casal grava vídeos musicais e coloca na rede, seguindo dois critérios que, por falta de recursos sofisticados de gravação e edição, acabam sendo o padrão dos vídeos amadores que nos acostumamos a assistir:

1 - O que você vê é o que você escuta (não há sincronia para voz ou para instrumentos na pós-produção.)

2 - Se você escuta algo, irá vê-lo sendo gravado em algum momento. (Não há sons escondidos.)

Entretanto, ao contrário das outras filmagens amadoras, os vídeos do Pomplamoose não são gravados com a webcam, ou usando o recurso de vídeo de uma câmera fotográfica. O que nós vemos são filmagens em alta definição, captada de diversos ângulos, o que, levando em conta os dois critérios de gravação, me faz acreditar que existe mais de uma câmera.

Em vez de um quarto qualquer, os vídeos são feitos em um homestudio. E, ao contrário da configuração de maior parte dos estúdios caseiros que eu conheço, em que poucos instrumentos disputam o espaço com simulações,  bateria eletrônica, piano digital e toda uma série de programas de computador que fazem as vezes de instrumentos caros, o Pomplamoose realmente UTILIZA os instrumentos caros, de verdade, sem simulação. São pianos verticais, pianos elétricos, orgãos, bateria e muitos microfones, que ficam empilhados no pequeno quarto, mas que são mais caros e soam muito melhor que muitos pequenos estúdios que eu conheço.

A dupla, que extrai uma sonoridade profissional de um ambiente que parece ser bem amador – como denuncia o colchão usado como isolamento acústico em uma das paredes –, possui um organizado canal no Youtube, vende suas músicas no iTunes, dispõe o material para audição e venda no myspace e permite o download gratuito das versões que fazem de outros artistas.

Nos vídeos, tudo parece bastante elaborado, desde a edição que é quase o making-off das gravações, e nos mata a curiosidade em vê-los utilizando instrumentos exóticos, até as pequenas histórias que eles protagonizam ao fim dos vídeos.

Em uma delas, a irmã do Jack entra no quarto ao fim da gravação e ele aproveita para fazer merchandising dos sabonetes caseiros que ela faz, em outro momento, é possível ver o casal jantando no carpete do quarto-estúdio, Jack cochilando no mesmo carpete, ou os dois comemorando quando a Nataly concluiu os estudos.

As brincadeirinhas entre o casal causam a empatia de qualquer indie simpatizante do lema “faça você mesmo”. Em uma destas gracinhas, o pirulito do bumbo da bateria está vestido com um fantoche dos Muppets.

Eis que uma marca é bastante presente nos vídeos, nos processadores utilizados pelos músicos, em algumas camisetas que o Jack usa, em algum equipamento em close: a Electro-Harmonix.

A Electro-Harmonix é uma empresa novaiorquina fabricante de processadores eletrônicos para som. Seus produtos mais famosos são os pedais de efeitos para guitarra.

Equipamentos da Electro-Harmonix

A fabricante e os garotos do Pomplamoose tem muito em comum. A primeira desenvolve produtos com aspecto propositadamente caseiro (entre os músicos, há um fascínio por essa estética), a segunda, a dupla, faz o seu som de forma caseira utilizando os processadores da Harmonix, que estão sempre legíveis na câmera, de frente para ela. A primeira cria os efeitos de som mais ricos e procurados durante as décadas de 70 e 90, a segunda se utiliza largamente destes efeitos para criar uma sonoridade criativa para suas músicas.

Dai surge a pergunta:

Não seria o Pomplamoose uma bela ação da Electro-Harmonix para atrair uma nova geração de músicos?

Uma ação extremamente adequada e pertinente que criou praticamente uma web-história. Um duo formado por um jovem produtor e cineasta, que namora uma garota de penteado hipster, estudante de arte e literatura francesa.

Os dois fazem vídeos para o Youtube, se vestem como a maior parte dos garotos que tocam em bandas indie hoje em dia, fazem piadas com as mesmas coisas, ficam famosos fazendo versões de músicas bastante conhecidas, e utilizam instrumentos raríssimos e igualmente caros, com os quais todo músico de apartamento sonha, mas só teve contato através de uma simulação feita em computador.

Além disso, o público é jogado para dentro da história, fica sabendo quando a Nataly terminou os estudos, quando eles vão fazer os primeiros shows da dupla, participa de concursos para criar ilustrações para a camiseta e para a capa do disco da banda.

Pronto. Identificação completa com um segmento do mercado, placement de marca e de produto da Electro Harmonix.

O consumidor deste segmento é bastante exigente e está acostumando a pesquisar exaustivamente, ler o que os outros consumidores escreveram a respeito de um produto antes de comprá-lo, ir atrás de críticas e, olha só, é possível encontrar vários vídeos do Jack Conte fazendo reviews dos produtos da Electro-Harmonix.

Se for uma ação de marketing, ou mesmo um patrocínio, a abordagem foi muito competente. Se não foi, ainda está em tempo de ser.

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